Alguns dados históricos

Nó central de eixos viários, desde os primórdios, (1ª linha dos caminhos de ferro, Lisboa - Carregado); cruzamento da Estrada Real Lisboa - Caldas da Rainha e Lisboa - Santarém, bem como pólo fluvial importante através do rio Tejo, desde Lisboa às Portas de Ródão, o Carregado continua hoje a sua tradição de nó central das linhas viárias que cruzam o País.

De povoação rural onde abundavam as Quintas (Condessa, Telhada, Queimada, S. Julião, Alegria, Stº. António “Vaz Monteiro”, Barrão, Passagem, Campo (Marquês), Vale Flores, Casal Novo, Meirinha, Mendanha, Casal Velho, Barrada, Colónia, Roseiral, Outeiro, Chacão, Seixas, Alconchel, Boa-Água, Peixoto, etc.) o Carregado é hoje zona comercial e industrial, mercê da sua privilegiada localização.

As vinhas, os campos de trigo e os olivais, cederam o seu lugar a novas construções. As indústrias implantaram-se na área, as populações modificaram o seu modo de vida, o Carregado iniciou o seu crescimento. Mais recentemente uma nova rodovia passou a atravessar o termo da freguesia: a Auto Estrada A1, o principal eixo rodoviário do País. O cruzamento desta com a A10 que se destina a fazer a ligação ao sul do País, passando o Tejo na nova Ponte das Lezírias (entre Carregado e Benavente), transformou o Carregado uma das maiores rotundas de auto-estradas da Europa.

A história do Carregado ainda está por fazer. Pouco se sabe do seu início , mas o seu nascimento teve certamente origem nas variadas e importantes quintas que aqui existiam, algumas delas ainda podem ser visitadas.

 
A Mala-posta

Centro de comunicações por excelência o Carregado assumiu desde há séculos, um papel histórico-geográfico, como porto fluvial, estação ferroviária e centro viário de ligação com o Norte do País. Desde a idade média, coloca-se como ponto estratégico e passagem obrigatória que aqui faziam as galeras e os almocreves que, entre a Vala do Carregado e o Alto Concelho de Alenquer, escoavam toda a produção artesanal e agrícola da região. Entre 1758 e 1855 passaram na localidade as carreiras diárias da mala posta entre Lisboa, Caldas da Rainha e Coimbra.

Em 1 de Setembro de 1850 foi iniciada a construção da Estrada Real entre Lisboa e Caldas da Rainha passando por Carregado, Alenquer e Ota . A primeira carreira regular da Mala-Posta em Portugal confere ao Carregado o lugar da mais importante estação de apoio aos serviços regulares desta carreira entre Lisboa e Caldas da Rainha, que funcionou até 1864. De notar que o marco existente no Carregado tem inscrito numa das faces: ESTRADA QUE / VEM DAS CAL/DAS DA/RAINHA e noutra das faces : ESTRADA QUE / SE DERIGE / A SANTARÉM / ANNO DE 1788, o que nos leva a crer que esta estrada possivelmente construída em cima de antigos caminhos romanos já funcionava muito antes de 1850. A 28 de Maio de 1855 inaugurou-se a carreira diária, da Mala-Posta entre o Carregado e Coimbra. Os passageiros e o correio saíam de Lisboa numa barca da Companhia de Barcos e Vapores do Tejo, seguiam até ao cais da Vala do Carregado, donde partia a deligência ao meio dia. À mesma hora da partida do Carregado, saía de Coimbra uma outra deligência que chegava á estação da Vala do Carregado cerca das 11 horas da noite. A partir de 1859, esta carreira alargou o seu trajecto e passou a ligar Lisboa ao Porto. Nesta deligência de 6 lugares, puxada por 4 cavalos, o preço de uma passagem entre o Carregado e Ota, com direito a 33 arráteis de bagagem (cerca de 15 Kg) era de 720 réis em primeira classe e 480 em segunda.

O caminho-de-ferro

Em 28 de Outubro de 1856, inaugurou-se o caminho de ferro de Portugal, com a 1ª linha férrea de Lisboa ao Carregado.

Desta inauguração transcrevemos uma passagem do livro de memórias da Marquesa de Rio Maior (que à data era ainda criança ).

Vou narrar o que me lembra do solene dia da inauguração que, enfim, chegou. Minha mãe não quis ir ao banquete do Carregado. Mas foi comigo para um cerro fronteiro à estação de Alhandra ver a passagem do comboio (….). Finalmente, avistámos ao longe um fumozinho branco, na frente de uma fita escura que lembrava uma serpente a avançar devagarinho. Era o comboio ? Quando se aproximou, vimos que trazia menos carruagens do que supúnhamos. O comboio parou por um momento na estação, de onde se ergueram girândolas estrondosas de foguetes (...). (...) Só no dia seguinte ouvimos o meu pai contar as várias peripécias dessa jornada de inauguração. A máquina (...) não tinha força para puxar todas as carruagens que lhe atrelaram; e fora-as largando pelo caminho. Creio que se o Carregado fosse mais longe e a manter-se uma tal proporção, chegava lá a máquina sozinha ou parte dela. (...) (...) Meu pai passou para a carruagem real, na qual chegou ao Carregado, onde assistiu aos festejos e comeu lautamente, porque o banquete era farto ". Com esta inauguração, a máquina a vapor substitui as faluas do Tejo, e, gradualmente, os serviços regulares das carreiras da mala-posta. O Carregado tornou-se numa povoação importante pele sua situação no cruzamento da estrada de Lisboa para Santarém com a estrada para o Cercal e Caldas da Rainha.

 

 

Marco de cruzamento da estrada real, símbolo da heráldica da Freguesia

Alguns dados da Freguesia

  • Padroeiro: Nossa Senhora de Fátima

  •  População: 11.707 habitantes,

  • Eleitores 7.707

  • Área: 15,28 Km2

  • Actividades económicas: Agricultura, Indústria, Comércio e Serviços

  • Festas e Romarias: Nª Senhora de Fátima e Sagrado Coração de Jesus ( 1º. Fim-de-semana de Setembro); 

  • Património cultural edificado: Igreja Matriz, Palácio da Quinta de Stº António, Marco da estrada real e diversas casas brasonadas

  • Outros locais com interesse: Zona fluvial do Tejo, quintas de Santo António, do Campo, da Alegria, da Condessa

  • Colectividades: Associação Desportiva do Carregado, Grupo Desportivo da Torre, Rancho Folclórico do Carregado, Grupo Motard “Tigres da Estrada”, Corpo Nacional de Escutas-Agrupamento 514 e Associação de Dadores de Sangue

  • Gastronomia tradicional: Broa de mel

  • Artesanato: Ponto Cruz, Pintura de esculturas, Peças em estanho e Pintura de quadros.

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